Eusébio Ferreira da Silva (1942-2014) é o único preto a ter estátua em Portugal. Coisa pouca, dizem alguns, para um país que durante séculos governou grandes territórios africanos. Eusébio foi um futebolista que nasceu na antiga cidade de Lourenço Marques (hoje, Maputo, Moçambique), jogou pelo Benfica e por outros clubes, bem como pela selecção portuguesa. A estátua simboliza a homenagem feita pelo Sport Lisboa e Benfica. Outros grandes futebolistas pretos e brancos jogaram pelo Benfica e não tiveram honras de estátua.
Na antiga África portuguesa (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique) não há nenhuma estátua de um branco e as que havia foram derrubadas e destruídas pelos pretos logo que foi alcançada a independência por esses territórios (a partir de 1974…). E foram muitos os brancos que muito fizeram pelos Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
Não há aqui juízos de valores discriminatórios. Um ser humano é sempre um ser humano, seja branco, preto ou de outra cor de pele. As atitudes preconceituosas contra alguém são sempre condenáveis. A xenofobia e o racismo são questões étnicas e culturais.
Eusébio com Pelé
Há xenofobia como há xenofilia, ambas as posições são aceites. O preto Eusébio dos anos 60/70 do século XX, na órbita do futebol mundial, passou para o branco Cristiano Ronaldo, a partir da primeira década e anos seguintes do século XXI. A equidade não tem cor.

João Godim
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