Considerado o último sábio e humanista do nosso tempo, ensaísta do saber universal, George Steiner, completou há poucos dias (dia 23 de Abri) 90 anos de idade. Nascido em Paris (1929), de uma família judia, com pouco mais de 10 anos rumou para os EUA, onde se formou em Letras e Humanidades em várias universidades.
De regresso à Europa, ensinou nas mais prestigiadas universidades, foi catedrático de Literatura Comparada em Oxford e em Genebra, e desenvolveu uma vasta bibliografia de referência, com vários títulos publicados em português.
Apesar de não ter sido distinguido com o Prémio Nobel de Literatura, George Steiner está lado a lado com os grandes pensadores e criativos de todos os tempos, como Cervantes e Shakespeare que morreram em Abril de 1616 (dias 22 e 23 de Abril, respectivamente).
"Monumento vivo" da cultura europeia, para se ler bem a profunda obra de George Steiner é "preciso tirar férias", como alguém escreveu, seguir a lentidão do tempo e com uma curiosidade ilimitada. Mas vale a pena lê-lo, em particular neste momento, quando a Europa se prepara para mais eleições democráticas entre ameaças ideológicas, "boatos" ou falsas notícias, promessas vãs, sem consistência, com um futuro efémero, construído sobre a areias movediças, de fracas convicções.

João Godim
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