O saber ocupa o "lugar" da ignorância
Um dos aforismos mais antigos da humanidade - "o saber não ocupa lugar" - revela-se algo contraditório quanto ao objectivo que pretende alcançar. Porque o saber é uma atitude, uma escolha, uma decisão, um sentido a defender, uma etapa a prosseguir a todo o tempo, contra ventos e marés, poderá também entender-se que o "saber ocupa", de facto, o "lugar" da ignorância, da escravidão mental, do medo, da hipocrisia, da manipulação, das falsas notícias que impedem a liberdade de consciência, a verdade fundamentada.
O "saber" dá muito trabalho, muita luta e combate, mas dá imensos resultados favoráveis ao ser humano. Quem sabe, está sempre disponível a aprender e a construir-se em liberdade plena; ou como dizia Stig Dagerman (1923-54), escritor sueco: "O sinal mais vivo da servidão é o medo de viver"; e viver pressupõe ocupar os lugares do saber, desde os tempos remotos, até hoje.
Urge dar-lhe a importância devida, sem preconceitos, apesar da muita informação e dos conhecimentos "à mão de semear" que nos rodeiam. E neste aspecto é oportuno ler a "Breve História do Saber", de Charles Van Doren, formado em Literatura e Matemática, autor de mais de vinte livros, a maioria dos quais na área da História.
Conclusão, o saber requer esforço e ocupa lugar; e é difícil saber tudo no tão pouco tempo que dura a vida de uma pessoa; no entanto, o saber continua a ocupar o lugar central das nossas vidas.

João Godim
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