A Europa está perante uma vaga de refugiados (migrantes) de vários países africanos, que fogem à guerra, à falta de condições de sobrevivência e de outras situações difíceis. Vêm orientados por especuladores que os largam no mar ou nas fronteiras terrestres, à mercê da solidariedade e das políticas das migrações. Ninguém fica insensível ao escândalo que todas as semanas, desde há meses, sepulta centenas de pessoas no Mediterrâneo, por exemplo.
As notícias relacionadas com esta triste realidade ampliam os dramas, o número de vítimas, a indignidade flagrante que a todos choca sem uma solução à vista... Para a maioria dos europeus e das nações mais desenvolvidas, este cenário de fugitivos faz lembrar os "bárbaros" de antigamente... . Povos tidos por "incultos", "desprezíveis", "sanguinários", "reprováveis" e "primitivos".
Eram povos desconhecidos que surgiam de muitos lados, numa onda incontrolável, mas que contribuíram para as grandes mudanças da História, como foi o facto de terem acelerado a "decadência" do Império Romano.

Foram muitas as tentativas para controlar a "invasão" dos "bárbaros", mas as mais famosas ainda persistem no nosso tempo: a Muralha de Adriano (Património Mundial da UNESCO, desde 1987), concebida pelo Imperador romano Adriano, no século II, na fronteira entre a Escócia e a Inglaterra; e a Grande Muralha da China, mandada construída durante séculos por vários Imperadores chineses.
Apesar de tudo, os "bárbaros" invadiram, ficaram, e deram nome a povos que estão na origem de nações tão antigas como a nação portuguesa. Assim relata a História. Dos reinos "bárbaros" que se formaram na Europa, os principais foram: o Reino dos Visigodos, situado na Península Ibérica, era o mais antigo e extenso. Os visigodos ocupavam estrategicamente a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, que lhes permitia a supremacia comercial entre a Europa continental e insular; o Reino dos Ostrogodos, na península Itálica.

Os ostrogodos esforçaram-se por guardar o património artístico-cultural de Roma. Restauraram vários monumentos, para manter viva a memória romana. Conservaram a organização político-administrativa imperial, o Senado, os funcionários públicos romanos e os militares godos; o Reino do Vândalos, que atravessou a Europa e fixou-se no norte da África, perseguindo os cristãos, cujo resultado foi a migração em massa para outros reinos; o Reino dos Suevos, a oeste da Península Ibérica, que vivia da pesca e da agricultura. No final do século VI, este reino foi absorvido pelos Visigodos, que passaram a dominar toda a Península; o Reino dos Anglo-Saxões, em 571, quando os saxões venceram os bretões e consolidaram-se na região da Bretanha.

Os "bárbaros" de outrora eram povos desconhecidos, mas passaram à História com o nome de: "Alanos, Gauleses, Hunos, Francos, Godos, Vândalos, Germanos...". A História confirma, infelizmente, ainda que não se pretenda enaltecer qualquer semelhança com a nossa atualidade.

João Godim
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