
José Martins Júnior, 81 anos, padre natural da freguesia da Ribeira Seca, Machico (Madeira), fez-se (…) mártir e atacou a igreja como bem entendeu, contra todas as leis católicas. Vestiu a batina da ideologia comunista e foi deputado na Assembleia Regional da Madeira (ARM), presidente da Câmara Municipal de Machico, mentor de iniciativas anti direitos e maiorias democraticamente eleitas e constituídas.
Para os seus seguidores, um herói da política de esquerda. Tinha e continua a ter o púlpito da igreja onde metaforicamente se refugiou, teve a tribuna parlamentar e o palco cimeiro do município. Durante 42 anos esteve suspenso da vida pastoral, por decisão das cúpulas da igreja, mas nunca deixou de exercer as funções sacerdotais (incluindo casamentos e baptizados) na sua igreja fiel aos seus paroquianos que nunca deixaram de estar com o Pe. Martins Júnior.
Há cerca de um mês (16 de junho de 2019), o novo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, tomou a decisão de revogar à divins (suspensão) que durava há mais de quatro décadas. O Padre de “ilegalizado” voltou a estar legalizado! O pecado de ter sido deputado comunista foi a tormenta imposta por um poder absoluto fortemente ligado à igreja. Martins Júnior foi um padre que desobedeceu e venceu, sem nunca deixar de ser fiel aos seus princípios.

João Godim
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