D. Manuel II, o último rei português
Falar de reis e reinados nos dias de hoje quase parece um conto de fadas pela raridade da sua existência. Os mais conhecidos estão no trono há décadas - como a rainha de Inglaterra; e dificilmente se encontram famílias reais puras, devido aos casamentos dos herdeiros netos/bisnetos com gente considerada plebeia. Ser rei/rainha, actualmente, é uma espécie de símbolo, o sinal da prosperidade de um país/império no passado e pouco mais.
No que toca a Portugal, em toda a sua História de 900 séculos (a Nação mais antiga do continente europeu), houve soberanos modelo, com personalidade ousada e corajosa, forte liderança..., e outros mais fracos ou com falta de carisma. Tal como hoje, o poder internacional intrometia-se para decidir o futuro dos povos em determinado local do mundo, a favor de interesses particulares sem apelo nem agravo...
Ontem, como quem diz, em séculos passados, o poder de intromissão era protagonizado através das nações aguerridas, bélicas, e instituições dominantes como a Igreja; hoje, esse poder está mais difuso e confunde-se até de forma premeditada para melhor aprisionar os incautos e depois abandoná-los à sua mercê, com a ajuda de potentes tecnologias.
No meio de tudo isto, fazem-se alianças de cooperação e assinam-se tratados, acordos, cartas de direitos humanos..., enquanto certos deveres de parte a parte ficam aquém do que é devido.
A bem ver, é a mudança que faz mover o mundo - como já dizia o poeta Camões há 500 anos - "todo o mundo é composto de mudança"; e existem sempre grupos a favor e contra os acontecimentos que inevitavelmente levam a uma natural mudança.
Neste contexto, por exemplo, lembramos D. Manuel II, o último rei português, que subiu ao trono a 6 de Maio de 1908, sucedendo ao seu pai - rei D. Carlos e ao seu irmão - príncipe Luís Filipe, ambos assassinados, em Fevereiro daquele ano, no Terreiro do Paço, em Lisboa...
Foi o último rei da dinastia de Bragança e o único também a não conseguir fazer nada, apenas passou a ostentar o título e o cognome de "Patriota" ou "Desaventurado", porque o seu reinado durou pouco mais de dois anos, dada a implantação da República, em Outubro de 1910, sendo então obrigado a seguir para o exílio em Inglaterra.
A mudança, neste caso, foi trágica; mas o povo mais simples nunca se esqueceu do dia em que o rei fazia anos e os monárquicos defenderam sempre a sua causa, até hoje. Parafraseando Óscar Wilde (1854- 1900), escritor britânico de origem irlandesa,talvez se possa dizer dessas situações: "Todos sentimos e partilhamos o desgosto de um amigo. Mas é necessário um espírito e uma natureza sãos para nos alegrarmos com o seu êxito".

João Godim
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