O “Descobrimento da Ilha da Madeira”, crónica da autoria de Jerónimo Dias Leite e escrita no século XVI, encontra-se agora "comentada", em nova edição, pelos historiadores Cristina Trindade e Rui Carita, e o geógrafo Raimundo Quintal. A publicação é da responsabilidade Imprensa Académica da Universidade da Madeira (UMa) e foi apresentada neste sábado (21 de maio), na 42.ª Feira do Livro do Funchal, pelo Professor José Eduardo Franco.
“O leitor pode desfrutar da leitura integral do texto de Jerónimo ias Leite e complementar com o auxílio de preciosas anotações que permitem enriquecer, e até certificar e/ou corrigir, a informação apresentada neste documento histórico", explica o historiador da cultura.
Jerónimo Dias Leite, autor da obra "Descobrimento da Ilha da Madeira e Discurso da vida e feitos dos capitães da dita Ilha", foi um clérigo madeirense, filho de Gaspar Dias, alfaiate, e de Isabel Fernandes. Foi, igualmente, irmão de Gaspar Leite, advogado, que por constar da lista dos que foram objeto de um imposto – o "finto", que recaiu sobre os cristãos novos (judeus convertidos) residentes na Madeira em princípios do século XVII, estabelece para todos o estatuto de família "cristã-nova".

O registo de batismo de Jerónimo Dias Leite tem data de 14 de março de 1540. Da sua carreira eclesiástica sabe-se que passou alguns anos na vigaria de Arguim, a que se seguiu a de S. Jorge da Mina, após o que, depois de um período de residência em Oeiras, conseguiu ser provido na sé do Funchal, lugar que veio ocupar em 1572.
De entre outras funções que desempenhou, podem salientar-se a de escrivão do cabido e a de capelão régio. A data da sua morte permanece incerta, sabendo-se apenas que, em 1593, o seu nome aparece pela última vez, a assinar um auto do cabido.

O que celebrizou Jerónimo Dias Leite não foi, no entanto, a sua carreira eclesiástica, antes, o facto de ser um dos primeiros autores a legar à posteridade uma obra fundadora da historiografia madeirense - o "Descobrimento da Ilha da Madeira e Discurso da vida e feitos dos capitães da dita Ilha", escrita aparentemente por solicitação de Gaspar Frutuoso (natural dos Açores), autor da também famosa obra histórica "Saudades da Terra".
Jerónimo Dias Leite tem o seu nome perpetuado na cidade do Funchal, numa artéria paralela à Avenida do Mar, próxima da Fortaleza/Palácio de São Lourenço.

João Godim
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