Portugal de outros tempos, com figuras ímpares
Território agreste, duro e "bárbaro", constituído pelas serranias beirãs, foi cunhado por Aquilino Ribeiro como “Terras do Demo”, o lugar onde nasceram: o escritor, a sua literatura e o carácter profundo da sua personalidade. "Terras do Demo" porque "nunca Cristo ali rompeu as sandálias, passou el-rei a caçar ou os apóstolos da Igualdade em propaganda. Bárbaras e agrestes, mercê apenas do seu individualismo se têm mantido, sem perdas nem lucros, à margem da civilização”, escreveu a propósito mestre Aquilino.
Romance publicado em 1919, é "uma das obras fundamentais do autor", considerou o Prof. Jacinto Prado Coelho. Uma obra que nos convida a conhecer um Portugal de outros tempos, com figuras ímpares que se destacam pela singularidade como que enfrentam a rudeza da paisagem e onde "a natureza e, muitas vezes, o diabo, ditam as suas leis".
Um universo de retratos sociais que marcaram um tempo e um modo de vida: "ciganos, almocreves, estalajadeiros, alcoviteiras, padres mulherengos e moças enganadas são algumas das personagens" descritas neste livro publicado há cem anos.
Aquilino Ribeiro (1885-1963), era natural da Beira Alta; cultivou todos os géneros literários através de uma vasta obra; sócio de número da Academia das Ciências, foi reintegrado após o 25 de Abril, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado aquando do seu centenário pelo Ministério da Cultura.
Em Setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.

João Godim
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