Internet, ilusão do conhecimento
Nos tempos actuais, tem-se a impressão que sabemos de tudo um pouco, com mais ou menos competências, numa variedade infinita de possibilidades e recursos. No entanto, já diziam os antigos, a "sabedoria vem da experiência" e "com o tempo" adequado, por muita teoria ou conhecimentos gerais que tenhamos.
Não menosprezamos as grandes possibilidades do nosso tempo, como houve também no passado, mas temos que aproveitar o melhor de modo consciente, especializado ou com a devida competência. Os alertas nesta matéria, por exemplo, podem ser conhecidos no livro "A Morte da competência", do professor norte-americano Tom Nichols, em que o autor desmonta a "ignorância" atrevida dos nossos dias.
> "Aquilo que me choca particularmente hoje em dia não é que as pessoas descartem a competência, mas a frequência com que o fazem, em relação a assuntos tão diversos, e a raiva com que o fazem", escreve o autor. "Pode ser que os ataques ao conhecimento especializado sejam mais visíveis devido à ubiquidade da Internet, à natureza desregrada das conversas nas redes sociais ou às exigências dos ciclos noticiosos de vinte e quatro horas.
Mas há nesta nova rejeição do conhecimento especializado, pelo menos para mim, uma presunção e uma fúria que não é apenas desconfiança, vontade de questionar ou de procurar alternativas: é narcisismo, ao qual se junta um desdém pela competência numa espécie de exercício de autodidatismo".
"A Morte da Competência" é uma obra oportuna e de muito interesse, sugere uma clara reflexão sobre os modos e os métodos que nos guiam através da "informação", das "novas tecnologias" e da "democracia" que já foi classificada, em termos político-governativos, como o que "menos mal causa" entre todos os outros.

"Enquanto a Internet permitiu que mais pessoas tenham mais acesso a mais informação do que nunca, também lhes deu a ilusão do conhecimento, quando na verdade elas estão afogadas em dados. Daí resulta um manancial inesgotável de rumores, mentiras, análise pouco séria, especulação e propaganda – e a tendência para «procurar informações que apenas confirmam aquilo em que acreditamos».

João Godim
FREELANCER
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