Morreu há cem anos, no dia 25 de Outubro de 1918, mas marcou o carácter inicial do modernismo na pintura portuguesa. Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) morreu jovem, vitimado pela "gripe espanhola" ou "pneumónica", depois de ter regressado a casa em Manhufe, no concelho de Amarante, condicionado por uma Guerra Mundial e após viver no reputado bairro de Montparnasse, em Paris, durante sete anos.
Filho de uma família com posses, desde cedo revelou dotes artísticos e teve o privilégio de estudar no estrangeiro, sem precisar de bolsas de estudos ou de arranjar trabalho para sobreviver. O seu talento levou-o a contactar de perto com os "génios" que, no início do século, estavam também em Paris (a "cidade luz"), como Picasso.

Em relação a Portugal, não teve tempo para as distinções merecidas e o seu nome, durante muito tempo, foi pouco proclamado como os dos artistas (também notáveis) Almada Negreiros e Santa Rita-Pintor.
Hoje em dia, contam-se aos milhares os visitantes no Museu da sua terra natal e nas muitas exposições que se promovem um pouco por todo o país; ao mesmo tempo que a sua obra figura no catálogo do modernismo no século XX.
Amanhã, quinta-feira, por ocasião do centenário da sua morte, inaugura-se em Espinho uma exposição de Álvaro Siza Vieira, Manuel Cargaleiro, Joana Vasconcelos, Júlio Resende e Nadir Afonso, entre outros criadores que conceberam obras inspiradas em Amadeo de Souza-Cardoso.

João Godim
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