Campanhas de Natal duvidosas

Por estes dias, ao aproximar-se a época das festas por excelência - Natal e fim de ano - há campanhas e promoções para todos os gostos, no sentido de se estimular o consumo e o lucro. Há intimações que orientam o consumidor para dias exclusivos, disto e daquilo, publicidades de várias formas, cores e feitios..., qual feira medieval com uma multiplicidade de produtos à mão de semear... E no meio da barafunda, é preciso reflectir ou ter um pouco de bom senso, como alertou o ministro do Ambiente e Acção Climática.
À margem de uma conferência sobre financiamento sustentável, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, João Pedro Matos Fernandes considerou, por exemplo, que a tão badalada "Black Friday" - dia de descontos nas lojas, é um "contra-senso" e classificou-a de "expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista", quando há "evolução de consumidores para utilizadores".
Esta "óptica de consumo de produtos e serviços", como se verifica actualmente, leva a fazer diferenças entre “ter uma lâmpada ou ter luz”, “ter uma máquina de lavar roupa ou ter ciclos de lavar roupa”, ou entre “ter um berbequim ou um furo na parede", apontou o ministro. “O que eu quero é mesmo um serviço e não necessariamente um bem. E por isso cada vez mais vamos ter uma sociedade orientada a serviços que têm bens lá dentro”, prosseguiu.

Matos Fernandes catalogou, por isso, a ‘Black Friday’ como “um expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista”, sem antes dizer que acredita “na livre escolha e na iniciativa” numa “democracia aberta”.
“Acho que é fundamental nós mudarmos de hábitos para podermos aguentar esta mesma democracia e este regime aberto e de livre iniciativa e de livre oportunidade”, continuou, manifestando também receio de que “alguém o faça por nós e o faça mal”.
O responsável pela pasta do Ambiente e Acção Climática no actual Executivo da República lamentou ainda ver “muitas entidades financeiras a dizerem como é que vão apoiar as compras que nós vamos fazer no ‘Black Friday'” (isto é, o dia em que várias lojas promovem produtos com grandes descontos; será na próxima sexta-feira e visa "inaugurar" a época das compras natalícias; mas é preciso estar de olhos bem abertos, porque nem tudo o que luz é ouro, e como disse o ministro Matos Fernandes, o consumo excessivo é um vício que se pode pagar caro, porque é o "expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista".

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS