A expressão “fio da meada” está relacionada com a era da "Revolução Industrial" (século XIX), quando a manipulação dos tecidos passou a ser feita por máquinas... Mas, associa-se também a algo que se quer deter, afirmar, convencer, com o propósito de fazer bem feito o que tem de ser, sem manipulações que possam destruir a veracidade e oportunidade dos factos.

Mais do que jogos de palavras, esta expressão pode ainda traduzir de uma forma simples, mas não simplista, o importante da mensagem, do relato ou da explicação que se pretende dar a algum momento sujeito a uma certa confusão ou dispersão. Então, é preciso não perder "o fio da meada", sem mais nem menos, com a clarividência que a situação exige.
Esta expressão, pensamos, pode muito bem ser usada no actual contexto da política portuguesa, agora com um novo governo, sinónimo de mudanças e de novas decisões... Mas, lá está! Não se pode perder "o fio da meada", sob pena de causar estragos na feitura do "tecido", neste caso "tecido social, económico, educacional, cultural..."
As "máquinas" são outras, mas o tratamento da "meada" (leia-se progresso, acção, desenvolvimento, decisões pelo bem-comum) exige cuidados e respeito. Afinal, como escreveu José Régio, num dos seus célebres poemas:

"Quando eu nasci, / ficou tudo como estava, / Nem homens cortaram veias, / nem o Sol escureceu, / nem houve Estrelas a mais… / Somente, / esquecida das dores, / a minha Mãe sorriu e agradeceu./ Quando eu nasci, / não houve nada de novo / senão eu. (...)".
Ou ainda, como opinou Fernando Pessoa, na Mensagem (sobre os Colombos): "Outros haverão de ter/ O que houvermos de perder. Outros poderão achar / O que, no nosso encontrar, / Foi achado, ou não achado, / Segundo o destino dado."
Tudo não passa de uma caminhada, começada por uns, prosseguida por outros tantos..., até à meta final. Importa não voltar para trás ou perder tempo, o "fio à meada"...

João Godim
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