Sem ilusões ou fábulas de encantar
Nada mais arriscado e perigoso do que fazer comparações entre épocas, entre tempos atuais e antigos. Quaisquer tentações neste campo têm um efeito contrário, causam erros e manipulações desonestas. Se as condições são outras, há que ver o contexto histórico, as diferenças próprias, para avaliar bem a realidade que se pretende conhecer. E o conhecimento sério percorre um único sentido, que é o de apontar para uma certa evolução, com mais ou menos dificuldades, mas sempre com outros contornos, procurando uma abordagem imparcial, justa e não conforme interesses particulares ou modas da ocasião, com o contributo de todos, sem ilusões ou fábulas de encantar. Para além disto, como revela o Eclesiastes (livro da Bíblia escrito no século III antes da era cristã):

"Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois". (...)

Sem mais comentários. Basta fazer um exercício de memória ou reparar nas coisas que se passam à nossa volta, por exemplo, neste tempo de campanha eleitoral, para termos uma noção mais correta e admissível quanto aos princípios básicos e intemporais que defendemos.
Já agora, lembramos, também, que neste mês de setembro, dia 30, é dia de São Jerónimo (342-420), o tradutor da Bíblia para o Latim, e que ficou conhecida como Vulgata, tornando assim a Sagrada Escritura mais acessível à linguagem popular.

João Godim
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