Uma exposição comemorativa dos 130 anos de publicação do romance “Os Maias”, que mostra pela primeira vez peças do espólio pessoal de Eça de Queirós, vai estar patente ao público na Gulbenkian, em Lisboa, a partir do próximo dia 30.
“Os Maias” serão o eixo central da exposição “Tudo o que tenho no saco. Eça e Os Maias”, mas à sua volta irão apresentar-se outras obras do autor, como crónicas, contos e cartas.
Serão também mostradas fotografias, pinturas, caricaturas, gravura, música da época, excertos de filmes e objectos do espólio pessoal de Eça de Queirós (1845-1900, que até agora estavam guardados na Casa de Tormes (propriedade da Fundação Eça de Queiroz).
Entre as peças pessoais do escritor, destacam-se a secretária pessoal, o tinteiro em latão, a palmatória de iluminação, a estante giratória e a cabaia chinesa (vestuário de mangas largas usado na China), que lhe foi oferecida pelo Conde de Arnoso. A mostra conta ainda com obras de vários pintores portugueses, com quadros e peças alusivos ao autor de "A Cidade e as Serras".
O romance "Os Maias" foi publicado em 1888, cinco mil exemplares, tendo ainda como título "Episódios da Vida Romântica”. Na altura, foi mal recebido pela crítica e pelo público em geral, mas no século XX, já depois da morte do autor, foram reconhecidos como "a obra-prima de Eça de Queirós", e o romance considerado "um clássico da literatura portuguesa".
A exposição a inaugurar brevemente, abrange vários percursos do escritor, desde o nascimento (na Póvoa do Varzim, a 25 de Novembro de 1845), passando pela formação superior na Universidade de Coimbra, estadias em Lisboa, experiência jornalística em Évora, entre outros núcleos fundamentais da sua vida.
O título da exposição é retirado de uma carta que Eça de Queirós a Ramalho Ortigão, seu amigo, quando o romance “Os Maias” estava praticamente terminado, e na qual contava como decidira fazer “não só um ‘romance’, mas um romance em que pusesse tudo o que tenho no saco”.
Pegando no mote, 130 anos depois da publicação de "Os Maias", a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu mostrar “tudo o que Eça trazia no saco”, numa exposição que estará patente até 18 de Fevereiro de 2019, e que contará ainda com uma vasta programação paralela, que vai do cinema a conversas e a jantares queirosianos, entre outras iniciativas.

João Godim
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