


Festival de música numa pequena cidade holandesa. Tarde de domingo, dia de sol, há stands com sanduiches, bebidas e fruta. O espaço verde e rodeado de árvores tem capacidade para o triplo das pessoas que lá estão. Música clássica, sóbria, intemporal, do agrado das pessoas que parecem hipnotizadas pelos acordes musicais. A cada interregno ouvem-se vibrantes aplausos. A musicalidade a todos satisfaz.
Estamos a poucos quilómetros de Roterdão mas ao mesmo tempo longe das multidões citadinas, dos metálicos e dos coloquiais que manipulam a música e a tornam pimba sem definição própria. Sobre o verdejante relvado estão as violas, os violinos e os violoncelos, os instrumentos usados pelos músicos para a música tecnicamente perfeita.
E ficamos a comparar: Que diferença enorme entre os festivais de música no verão português, com "pimbas" a rodos, e os festivais no verão holandês? A começar pelos stands (e não barracas), pelos produtos à venda e pela urbanidade cultural. Não é somente a música clássica a fazer a diferença é também e sobretudo a educação e formação de quem toca e de quem ouve.
Não quero dizer que na Holanda não haja também festivais musicais de mediana qualidade, enfartados de bebidas alcoólicas e consumos indesejáveis. Na escolha, é desejável a qualidade, seja na Holanda ou em Portugal.
Ouvir as cordas da viola darem vida à música erudita é um sonho, mas ainda quando acompanhada pelos sons do violino e do violoncelo. Tal como em tudo, a música é também uma questão de educação.

João Godim
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