Os museus e os arquivos são vistos como sítios onde estão guardados tesouros do passado. Coisas que já lá vão. E para quê ir ao passado quando temos tanta coisa para ver no presente? Não há tempo, estamos num tempo de andamento rápido, inovação, renovação, novidade com pouca duração porque logo surge outro evento mais evoluído.
Os museus e arquivos guardam a “nossa história”, acontecimentos passados, factos que não devemos ignorar. Somos produtos do antes. Mas os museus e os arquivos também não devem instalar-se num espaço como se fossem figuras mortas, silêncios interrogatórios ante imagens que parecem-nos obrigar a “ver e não tocar”. Poderá haver museus e arquivos “mortos” e “vivos”, mas ao entrarmos num destes lugares o que mais nos diz são os “mortos” e não os “vivos”.

Porquê não falar e não rir nos museus e arquivos (com exceções)? Entramos e logo ficamos com aquele semblante como quem entra numa igreja ou de visita a um cemitério. Silêncio quando não mesmo mutismo gelado. Os museus e os arquivos são para nós “locais de informação” e… é por isso que queríamos vê-los mais vivos e menos mortos! Mais interativos com quem os visita.

João Godim
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