Todos os anos, a 18 de Maio, celebra-se o Dia Internacional dos Museus para chamar a atenção do património edificado, material, de que a humanidade é detentora desde há séculos, herdeira de várias gerações e acontecimentos culturais. Criada em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus, esta efeméride tem ainda como objetivo "promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos Museus no seu desenvolvimento"; e, este ano, apresenta como tema: "Os Museus como plataformas culturais - Museus e cidadania".
Para assinalar este Dia internacional promovem-se muitas visitas, programas e realizações relevantes, de forma graciosa, um pouco por toda a parte. A escolha da agenda prevista para esta data é difícil, mas importa estar atento às celebrações, nem que seja através dos noticiários ou ligações via "redes sociais".
A par desta oportunidade, interessa também olhar à volta do que nos rodeia em termos do património natural, qual Museu em ponto grande e único em toda a sua biodiversidade; e tudo isto numa altura em que aumentam os alertas sobre a destruição dos ambientes necessários à própria sobrevivência humana, como prova um "relatório alarmante" das Nações Unidas (ONU) sobre os "danos na natureza e a ameaça de extinção que paira sobre milhares de espécies".
Este tema, por outro lado, esteve em análise num recente encontro realizado no Vaticano, organizado pela Academia Pontifícia das Ciências, intitulado "Ciências e acções para a protecção das espécies – Novas Arcas de Noé para o Século XXI". No final, os especialistas dividiram-se entre "a esperança e o pessimismo".
"Precisamos de um argumento sólido para convencer as pessoas da importância da biodiversidade", reconheceu, por exemplo, o professor Peter Raven, docente de botânica da Universidade de Saint Louis, Missouri, Estados Unidos.
Por seu lado, o professor Vanderlei Bagnato, membro da Academia Pontifícia das Ciências, explicou que "estamos a viver uma Arca de Noé moderna”. É um “novo dilúvio”, não de água, mas de desgraças ambientais que levam a uma "catástrofe de espécies animais e vegetais irrecuperáveis” com consequências directas para o homem.
Segundo a narração bíblica, "Noé recebeu a incumbência de salvar a humanidade devido à catástrofe e hoje temos o mesmo problema. A nossa catástrofe é a grande desordem causada pelos malefícios tanto a espécies animais, quanto vegetais. Noé percebeu que para sobreviver deveria salvar as espécies e, para a espécie humana se salvar, procura-se salvar também toda a biodiversidade ao seu redor", salientou.
De acordo com o relatório da ONU, 75 por cento do meio ambiente terrestre “foi severamente prejudicado” pelas actividades humanas, desde desflorestação, agricultura intensiva, pesca excessiva ou urbanização desenfreada, havendo 66 por cento do ambiente marinho que também foi afectado.
Como resultado desta situação, "cerca de um milhão de espécies animais e vegetais, entre as perto de oito milhões que se estima existirem no planeta Terra", estão ameaçadas de extinção, “muitas delas nas próximas décadas”.

João Godim
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