Futuro sombrio para a espécie humana
Cientistas alemães descobriram no Gabão um grupo de chimpanzés que costuma partir as carapaças de tartarugas contra árvores para comerem a carne, um comportamento que indicia traços culturais próprios.
Um dos autores do estudo publicado na revista Scientific Reports, Tobias Deschner, afirmou que os chimpanzés e as tartarugas coexistem em outras zonas e os primatas comem tartarugas jovens, de carapaça mais mole, mas é a primeira vez que são vistos a partir cascas dos répteis.
Esta observação parece confirmar a teoria de que os chimpanzés, primos distantes dos seres humanos, desenvolvem culturas autónomas. Uma das hipóteses que pode ter levado a este comportamento é o facto de no parque nacional gabonês de Loango existirem frutas de casca dura que os chimpanzés já estão habituados a partir.
Alguns chimpanzés mais empreendedores poderão ter experimentado fazer o mesmo com as tartarugas porque vêem "um objecto com um exterior duro, que contem qualquer coisa interessante, e precisam de o rachar para o abrir", indicou Tobias Deschner, primatologista no instituto Max Planck, em Leipzig. No entanto, alguns cientistas contestam a ideia de que os chimpanzés são capazes deste raciocínio, muito menos de o ensinar a outros de modo a tornar-se uma "prática cultural" da população a que pertencem.
Enquanto isto, um milhão de espécies animais sofre a ameaça de extinção, alerta um relatório das Nações Unidas, segundo o qual a natureza está condenada ao declínio a menos que os modelos de produção e de consumo sejam alterados.
O relatório, da autoria de um grupo de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre biodiversidade, traça um futuro sombrio para a espécie humana que depende da natureza para beber, comer, respirar, aquecer-se e até curar-se.
De acordo com os dados da ONU, 75 por cento do meio ambiente terrestre “foi severamente prejudicado” pelas actividades humanas, desde desflorestação, agricultura intensiva, pesca excessiva ou urbanização desenfreada, havendo 66 por cento do ambiente marinho que também foi afectado. Aliás, pelo menos 680 espécies com coluna vertebral já foram extintas desde 1960 e o relatório refere que desapareceram 559 raças domesticadas de mamíferos usados para alimentação, confirmam os especialistas.

João Godim
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