Há 20 anos, em agosto de 1996, desaparecia dos palcos da vida Vera Lagoa (Maria Armanda Falcão), 86 anos, jornalista, primeira locutora de continuidade da RTP, em 1956, fundadora e directora do semanário O Diabo.
Foi uma das personalidades mais fascinantes da sociedade portuguesa do seu tempo, através da intervenção cívica e acutilância de temas vários tratados por uma prosa competente e crítica.
Liderou causas e defendeu direitos, secretária do general Humberto Delgado, em 1958, foi apelidada de fascista no período revolucionário do "25 de abril", mas não se tornou "vira-casacas". Mulher frontal, corajosa, enfrentou sem medo as acusações, os julgamentos e intimidações.
Amiga da escritora Natália Correia, a sua postura de cidadã exemplar, sem "papas na língua", era elogiada por personalidades tanto da esquerda como da direita. Hoje, já quase não há memória da sua pessoa, só os mais antigos e contemporâneos talvez a possam testemunhar.
O seu legado está esquecido, falta frontalidade no jornalismo, enquanto abundam interesses contra o bem comum e a pátria de séculos... Por isso, nunca é demais conhecer e falar de Vera Lagoa, mesmo correndo o risco de nos repetirmos, pois, estamos necessitados de grandes vultos, modelos intemporais.

João Godim
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