PSD em bolandas
Não de forma claramente explícita, mas o PSD é o único partido em contramão em relação à greve dos motoristas de matérias perigosas. O líder social- democrata, Rui Rio, diz que esta greve mais não é que um circo montado pelo governo (PS) para tirar dividendos eleitorais. Estranha postura de quem tem responsabilidades acrescidas não só por ser o maior partido na oposição como foi o PSD quem ganhou as últimas eleições legislativas (2015), sem maioria e sem coligação para que pudesse governar.
Das dezenas de greves a que já assistimos desde 1974 até agora, esta greve dos motoristas é porventura a que mais conseguiu unir os portugueses contra a sua realização. Nunca tantos estiveram contra uma greve, tantos de todas as classes sociais, com carro e sem carro. O que leva o PSD a apoiar esta greve, ante a posição de Rui Rio (que não tem a concordância da maioria do partido), deixa transparecer contrariedade isolada e perdedora. Um PSD em bolandas.
Democraticamente, não é aceitável a realização de uma greve apenas a pensar em nós, apenas a bem de nós, apenas em nosso abono, contra tudo e contra todos, aparentemente egoísta. Há que dar ordens às coisas, atender os prós e contras, sem vaidades nem extremismos, em diálogo claro e transparente, e não com pedras na mão e expressões de vitórias onde não existem. A posição do líder PSD é lastimável, talvez esteja a assumir antecipadamente a derrota pessoal e do partido, nas próximas eleições legislativas de 6 de outubro.

João Godim
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