Montejunto é, para quem lá vai, uma serra ofendida e parcialmente destruída. O ponto mais alto do distrito de Lisboa, com 666 metros de altitude, é um pequeno planalto de ferros, de agreste violação à natureza e da degradação de um património único. “Em Montejunto existem as ruínas de dois conventos: um mais antigo, dominicano, do século XII, e outro que não chegou a ser concluído. Os monges do primeiro, aproveitando as condições climáticas da serra, construíram tanques onde recolhiam gelo (fábrica do gelo) que depois enviavam para Lisboa. É por este motivo que Montejunto é também conhecida por serra da Neve. Esta indústria perdurou até 1885”.
A pouca distância das ruínas do convento, ficam as Ermidas da Senhora das Neves, do século XIII e de São João, revestidas de azulejos. Apesar de todo este património, com mais de nove séculos, a montanha apresenta uma imagem de terror contra a natureza. Uma serra transformada num esqueleto de ferros. Antenas de rádio, televisão e radares, dão àquele lugar uma visão devastada e desonrosa.
Convento dominicano do séc. XII, em ruínas.

João Godim
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