Entre 16 de maio de 1974 e 3 de janeiro de 1980 existiu em Portugal um Ministério da Comunicação Social (MCS). Um órgão do estado democrático com estatutos e legislação cujo poder tinha como primeira figura o governo. Uma espécie de uma empresa jornalística que tem estatutos próprios a determinar a linha editorial (ponto e vírgula).
Para sermos mais objectivos: a igreja católica em Portugal detém, entre outros títulos de menor expressão pública, a RR (Rádio Renascença) e a Agência Ecclesia, dois órgãos de inspiração cristã. A programação, produção e noticiários obedecem às directrizes ditadas pela igreja católica.
O Ministério da Comunicação Social tinha a tutela da imprensa, rádio e tv (na altura, apenas a RTP e a EN (emissora nacional/rádio), garantindo a tão propalada liberdade de expressão como determinando linhas de orientação. Este MCS praticamente não tem registo de memória (apagou-se?) mas teve um papel relevante sobre o (des)controlo da cobertura e divulgação noticiosa.

O MCS tinha um poder que não abdicava e que levou a que algumas forças políticas entrassem em conflito com o governo. Entre 1974 e 1980 foram registados, quiçá, o maior número de títulos de jornais e revistas em Portugal de que há memória. Muitos novos jornais, muitas falências de jornais e muitos jornais antigos desapareceram.
A história do Ministério da Comunicação Social ainda não foi feita e dificilmente sairá a público. Os telejornalavas, os biscates dos oportunistas tagatés bem como os chateadíssimos políticos tagarelas deitaram tudo a perder. O Ministério foi extinto e não deixou saudades, o que é mau. Ressuscitá-lo pode ser uma chatice, talvez seja melhor deixá-lo como está: adormecido!

João Godim
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