“Os chefes militares só admitiram Marcelo Caetano (como chefe do governo) na condição de este dar garantias de continuar a guerra em África”, in revista Domingo (CM), 23.09.2018. Imperiosa exigência das altas patentes militares, para que Marcelo Caetano pudesse tomar posse, a 28 de setembro de 1968.
Em frente:

É óbvio que algo de muito grave está a acontecer. Nos quartéis aparentemente não há inimigos. Em janeiro deste ano era noticiado que pelo menos 2.800 militares portugueses participariam em missões internacionais em 2018, com destaque para presenças no Afeganistão, Turquia, República Centro Africana, Mali e Somália.
O salário nestas missões é para muitos jovens um tanto tentador, por isso estão disponíveis para integrar qualquer missão. Não há mobilização obrigatória, como na guerra em África (antes de 1974), nem há terrorismo declarado. O pré vale a pena e uma missão de seis meses, depressa passa. Fazer várias missões é conseguir um bom pé –de-meia.
O jovem comando que apareceu morto, na sexta-feira, era natural da Madeira, tinha 23 anos, e pertencia ao Regimento dos Comandos, no quartel da Carregueira, em Sintra. Dias antes terá estado colocado numa lista para nova missão no âmbito da ONU mas, por motivos não conhecidos, foi retirado e colocado outro no seu lugar, quando eventualmente estaria apto para a missão. Apareceu morto, no quartel. Ponto final. Paz à sua alma!


João Godim
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