

Virgílio Varela, o capitão que liderou a coluna militar do malogrado "golpe das Caldas", dois meses antes do 25 de Abril de 1974, morreu, terça-feira, aos 78 anos. Após o golpe falhado, e por ter liderado a única força que marchou sobre Lisboa, Virgílio Luz Varela foi detido e estava na Casa de Reclusão da Trafaria quando o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o governo de Marcello Caetano e o Estado Novo, a 25 de abril de 1974.
Libertado no próprio dia, comandou operações militares nas ruas de Lisboa, ainda durante o golpe de Estado que levou à instauração da democracia, como lembra o Manuel Bernardo no seu livro "Marcello e Spínola: a Ruptura. As Forças Armadas e a Imprensa na Queda do Estado Novo. Portugal 1973-1974".
Pertenceu à Junta de Salvação Nacional (JSN), que tomou o poder, e pertenceu à 2.ª Divisão do Estado Maior-General das Forças Armadas. Foi membro da Assembleia do MFA até ao 11 de março de 1975, tendo depois sido detido por cerca de 50 dias.

Virgílio Canísio Vieira da Luz Varela nasceu a 27 de Abril de 1938, na Ponta do Sol, Madeira, e tinha os cursos de Transmissões, de Criptólogos e de Estado-Maior (Geral) e o Estágio de Segurança NATO. Cumpriu uma comissão em Angola, nos anos 60.
Condecorado com a Medalha D. Afonso Henriques e a de Mérito Militar, em 1981, desempenhou funções no Comando Geral da PSP e foi promovido a coronel em 1994.

A coluna militar saíu do quartel de Caldas da Rainha em direcção a Lisboa, às 4 horas da madrugada, comandada pelo capitão Varela. Dia 16 de Março de 1974. Uma acção corajosa que veio a culminar, com êxito, no 25 de Abril.

João Godim
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