Nesta sexta-feira, 18 de setembro, pelas 15h30, no Claustro do Museu de São Roque em Lisboa, decorrerá a cerimónia de atribuição da Medalha de Mérito Cultural do Estado Português ao investigador José Eduardo Franco, em reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada às grandes causas da cultura e à investigação e divulgação da História, em Portugal e no estrangeiro.

José Eduardo Franco nasceu em 17 de fevereiro de 1969 na Ribeira Grande, concelho de Machico, Ilha da Madeira, onde conviveu desde muito cedo com a dureza das condições de vida do interior rural madeirense da época.
Formou-se em Teologia e Filosofia na Universidade Católica Portuguesa e fez Mestrados em Ciências da Educação e em História Moderna na Universidade de Lisboa. Doutorou-se em História e Civilizações na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) de Paris, e em Cultura na Universidade de Aveiro; fez a sua Agregação na Universidade de Lisboa em História da Cultura. Este percurso de formação interdisciplinar tem-lhe permitido interessar-se pela investigação e estudo de temas multímodos da Cultura Portuguesa e europeia na sua relação com o processo moderno de globalização.
Atualmente é professor-Coordenador com equiparação a Professor Catedrático da Universidade Aberta, onde dirige a CIDH – Cátedra FCT/Infante Dom Henrique de Estudos Insulares e da Globalização (Universidade Aberta/Polo do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de que é Diretor-Adjunto e coordenador do grupo de investigação Metamorfoses da Herança Cultural).
É autor, coordenador e co-coordenador de vários projetos de investigação nos domínios das Ciências Sociais e Humanas, entre os quais podem ser destacados o Dicionário Histórico das Ordens, a Obra Completa do Padre Manuel Antunes (14 volumes) e o projeto de levantamento da documentação portuguesa patente no Arquivo Secreto do Vaticano (3 volumes). Concluiu recentemente o projeto da edição da Obra Completa do Padre António Vieira em 30 volumes, em colaboração com Pedro Calafete, que constitui o maior feito da história editorial portuguesa, pela publicação no tempo recorde de dois anos de uma obra que vinha sendo tentada, sem sucesso, desde há 150 anos.

Tem em curso, sob a sua direção, entre outros projetos, a preparação do projeto "Aprender Madeira", no quadro do qual dirige o Dicionário Enciclopédico da Madeira (10 volumes); do "Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo"; do "Dicionário do Padre António Vieira", bem como da tradução da sua obra seleta para 17 línguas de circulação internacional; da "Obra Completa de Fernando Oliveira" (7 volumes); das "Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa" (30 volumes) e da "Obra Completa Pombalina e do Marquês de Pombal" (32 volumes).
No ensino superior, tem participado na docência de matérias relacionadas com a História da Cultura, Ciência das Religiões, Mitocrítica e Ciências da Educação em várias universidades portuguesas e como professor convidado e visitante de universidades estrangeiras; tem, ainda, orientado diversas teses e projetos de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento nas suas áreas de especialidade.
Conta com mais de duas centenas de artigos científicos publicados nas áreas da História, da Hermenêutica da Cultura, da Filosofia, da Educação e da História da Mulher; é ainda articulista assíduo da imprensa periódica.
Da sua bibliografia, com vários livros premiados e obras que foram consideradas obras do ano, além dos já referidos Dicionário das Ordens, Esplendor da Austeridade, 30 volumes da Obra Completa do Padre António Vieira e dos 14 volumes da Obra Completa do Padre Manuel Antunes, sublinhem-se títulos como O Mito dos Jesuítas em Portugal e no Brasil, Séculos XVI-XX (2 vols., 2006-2007), Dança dos Demónios: Intolerância em Portugal (coord. com António Marujo, 2009), O Mito do Marquês de Pombal (com Annabela Rita, 2004), Metamorfoses de um Polvo: Religião e Política nos Regimentos da Inquisição Portuguesa – com Edição Integral dos Regimentos da Inquisição Portuguesa (com Paulo de Assunção, 2004), O Padre António Vieira e as Mulheres: Uma Visão Barroca do Universo Feminino (com Isabel Morán Cabanas, 2008), Jardins do Mundo: Discursos e Práticas (coord. com Ana Cristina da Costa Gomes, 2008), O Esplendor da Austeridade (2011) ou A Europa segundo Portugal: Ideias de Europa na Cultura Portuguesa, Século a Século (coord. com Pedro Calafate, 2012).

Destaca-se ainda a sua capacidade de conceção, promoção e coordenação de grandes congressos científicos, sendo de referir os seguintes eventos internacionais muito participados por investigadores e especialistas de várias países: "Jardins do Mundo", "Ideias de/para a Europa", "Ordens e Congregações Religiosas em Portugal, na Europa e no Mundo", "Europa das Nacionalidades", "Ordem da Imaculada Conceição – 500 Anos", "A Primeira Diocese Global: Diocese do Funchal – 500 Anos".
É ainda membro de várias instituições científicas nacionais e internacionais, algumas das quais ajudou a fundar, nomeadamente a OIR - Oganización Iberoamericana de Retórica, Internacional Society of Iberian-Slavonic Studies e da Societé d’Études Jesuítes ligada à École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Recentemente foi eleito Académico Correspondente da Academia Portuguesa da História.

João Godim
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