A zona mais emblemática da baixa lisboeta - o Chiado - que concentra as ruas do Carmo e Garret..., foi alvo de um violento incêndio há 30 anos, no dia 25 de Agosto de 1988.
Na área consumida pelas chamas encontrava-se um rico património arquitectónico e histórico desapareceu quase por completo, nomeadamente dezenas de estabelecimentos comerciais, como os armazéns do Grandela e do Chiado, referências artísticas e tradicionais que vinham já dos finais do século XIX.

A zona do Chiado sempre foi um ponto de encontro de "gente distinta", em particular desde meados do século XVI quando o comerciante Gaspar Dias - conhecido por o Chiado - ali se estabeleceu e lhe deu fama. Por exemplo, o sobrenome do dramaturgo António Ribeiro "Chiado" (natural dos arrredores de Évora), foi adoptado enquanto ali viveu no século XVI, tamanha era a importância que o local concedia aos seus habitantes e visitantes.
A parte do Chiado atingida pelo terrível incêndio de 1988 foi reconstruida pelo arquitecto Siza Vieira; as obras realizaram-se entre 1990 e 2003.

Resta agora a memória de muitas gerações e personalidades que ficaram gravadas em vários espaços do Chiado, como o poeta Fernando Pessoa (1888-1935, cuja estátua, da autoria do escultor Lagoa Henriques, recorda-o à mesa do Café Brasileira, onde se sentava para escrever e falar com os amigos.

João Godim
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