Nesta data, 22 de Abril, destacam-se duas celebrações: o Dia Mundial da Terra e o Dia Nacional do Património. Muita reflexão, conferências, debates e visitas foram agendados para hoje, certamente; são temas fundamentais para a compreensão das nossas origens, desde a evolução natural até ao património edificado. No que respeita a este último, recordamos, nesta oportunidade, algumas raízes ou alicerces onde assenta o Funchal, uma das cidades portuguesas mais antigas e a primeira edificada fora da Europa, na época dos Descobrimentos (século XV).
Aqui começou a ser construída a cidade do Funchal, séc.XV.
A fisionomia da capital madeirense, desde o início, dividiu-se por três núcleos principais: o núcleo histórico de Santa Maria (cujo desenvolvimento corresponde à indústria do açúcar, nos séculos XV e XVI), onde começou a urbe, com a Capela do Corpo Santo, a Fortaleza de São Tiago, a Rua de Santa Maria (no início, Rua dos Caixeiros, por nela se instalarem os fabricantes de caixas para a exportação do açúcar) e a Rua Direita; o núcleo histórico da Sé, constituído pela Catedral, o Largo do Pelourinho (oferta do Rei D. Manuel, em 1486, e demolido em 1835), em cujo espaço circundante se ergueu também a Fortaleza de São Filipe que chegou, muito danificada, até os finais do século XIX, dando depois lugar a um imóvel, onde se instalaram mais tarde os Bombeiros Voluntários e a empresa Socarma (destruída em 1978 por um violento incêndio); em 1989, a zona foi completamente remodelada e, em 1992, inaugurou-se a Praça da Autonomia; actualmente, já nada disto existe, mercê de obras recentes na Avenida e dos trabalhos de recuperação da Fortaleza.
Sé do Funchal
No núcleo da Sé, destacam-se ainda a Praça de Colombo (o navegador viveu no Funchal, por ocasião do seu casamento com Filipa Moniz, filha do 1.º Donatário do Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo); o edifício da antiga Alfândega, onde hoje funciona a Assembleia Legislativa da Madeira, desde 1987; a Fortaleza e Palácio de São Lourenço; o Colégio dos Jesuítas; a antiga Misericórdia, ocupada depois pela Junta Geral e actualmente por serviços do Governo Regional; e o Teatro Municipal Baltazar Dias (edifício de finais do século XIX).
Por último, o núcleo histórico de São Pedro e Santa Clara: com o Palácio de São Pedro, recheado de memórias nobres, onde agora funcionam o Aquário Municipal e o Museu de História Natural; a igreja matriz, a Quinta das Cruzes, o Convento de Santa Clara; e as Ruas: da Carreira (onde decorriam as corridas de cavalos e desfiles carnavalescos, e onde se localiza o Museu Fotografia Vicentes (a primeira casa fotográfica do país), com o espólio de famosos fotógrafos madeirenses); das ruas dos Netos, da Mouraria e das Pretas, esta última com a "Confeitaria Felisberta", do início do século XIX, considerado o primeiro estabelecimento comercial a sério do Funchal.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS