Reino de Portugal e dos Algarves ou, ainda mais hiperbólico, Reino de Portugal, Brasil e dos Algarves, não estão esquecidos, pelo menos para os algarvios mais bairristas e defensores das suas raízes histórico-culturais. Faz parte da história. Mas que raio vindo dos céus para tamanha ostentação monárquica é que nos custa a entender. Nem algarves nem céus pedem plural, cada qual é um só por um só no singular!
Foi por volta de 1249 que surge, pela primeira vez, a imponência “Reino do Algarve”, no reinado de D. Afonso III. Mas o título pegou de estaca e tanto assim que em 1825 passou a denominar-se Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, com a Carta Constitucional de 1926 a conferir a magnificência do título.
Os árabes deram o nome al gharb (= Algarve) que se traduz por ocidente, o plural algarves foi uma aberração portuguesa. O Reino Unido (não confundir com o United Kingdom inglês) de Portugal, Brasil e dos Algarves deixa de existir quando Portugal perde o Brasil, oficialmente em 1826. A partir de então passa a denominar-se distrito de Faro. Certo é que com a independência do Brasil o Algarve deixa é de figurar no reino.
Para não vasculhar mais matéria histórica e deixar a “vida alheia" para outros, apenas uma observação à distância: Não seria mais razoável atribuir o nome de distrito ao Algarve em vez de Faro? Até porque o Algarve toda a gente conhece… já sei, distrito não é o mesmo que região. Fico por aqui, vim à procura das amendoeiras em flor e já avistei algumas. A lenda sobre esta árvore, que entusiasma, vem da Pérsia (actual Irão).

João Godim
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