Um dos maiores galãs do cinema
Se fosse vivo, Virgílio Teixeira, um dos mais conceituados atores do cinema português e internacional, teria celebrado esta semana (dia 26 de outubro), 98 anos de idade. Faleceu há dez anos, a 5 de dezembro.
Virgílio Teixeira nasceu, em 1917, no Funchal, onde se tornou muito conhecido pelas proezas desportivas, nomeadamente ténis, natação e futebol. Fascinado pelo cinema, a partir do momento em que Jorge Brum do Canto filmou a «Canção da Terra» no Porto Santo e na Madeira, viajou para a Lisboa para tentar a sua sorte. Começou como simples figurante no filme «O Costa do Castelo» (1942); assumiu o primeiro papel no filme «Ave de Arribação» (1943), tornando-se rapidamente um dos maiores galãs dos anos 40 e 50 em Portugal.
Entre os seus papéis mais conhecidos desse tempo, destacam-se: «Fado, História de Uma Cantadeira» (1947), de Perdigão Queiroga ao lado de Amália Rodrigues, «José do Telhado» (1945) e «A Volta de José do Telhado» (1949), «Um Homem às Direitas» (1944) e «Ladrão Precisa-se!...» (1946), de Jorge Brum do Canto, «Ribatejo» (1949), de Henrique Campos, e «Nazaré» (1952), de Manuel Guimarães.
Na mesma época, participou em muitos filmes rodados em Espanha, onde foi também reconhecida e acarinhada a sua popularidade. Aliás, foi em Espanha que estabeleceu os primeiros contatos com Hollywood, através das super-produções, na década de 50. Foi assim que Virgílio Teixeira participou em filmes como «Alexandre, o Grande» (1956), de Robert Rossen, ou «El Cid» (1960), de Anthony Mann.

A partir de então, dividiu a sua carreira entre os EUA e a Europa, tornando-se no ator português mais internacional, com notáveis participações como: «A 7ª Viagem de Sinbad» (1958), de Nathan Juran, «Salomão e a Raínha de Sabá» (1959), de King Vidor, «A Queda do Império Romano» (1963), de Anthony Mann, «Dr. Jivago» (1965), de David Lean, e «O Regresso dos Sete Magníficos» (1966), de Burt Kennedy.
No cinema e realização portugueses, releva-se também a participação de Virgílio Teixeira no: «O Crime de Simão Bolandas» (1978), de Brum do Canto, «Os Batoteiros» (1982), de Barbet Schroeder, e, principalmente, «A Mulher do Próximo» (1988), de José Fonseca e Costa, com Carmen Dolores, e «Um Homem às Direitas», de 1944.
Na televisão, o seu papel mais memorável foi, segundo os críticos, o do engenheiro António Fontes, na telenovela «Chuva na Areia» (1984).

João Godim
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