Passam, neste dia, 19 de Agosto, 19 anos (1917-1996) sobre a morte de Vera Lagoa, pseudónimo literário de Maria Armanda Falcão. Natural da ilha de Moçambique, tinha 79 anos, foi jornalista de referência, primeira locutora de continuidade da RTP, em 1956, e ex-diretora do semanário "O Diabo".

Escreveu alguns livros, como "A Cambada- crónicas da Liberdade", em que denunciou a moda do "vira-casacas" e situações escandalosas no contexto da "Revolução do 25 de Abril". Não tinha "papas na línguas" e foi ousada, dinamizadora de eventos que marcaram o seu tempo e, ainda que tenha vivido em períodos políticos tão diferentes, como a ditadura e a democracia, nunca se absteve de lançar farpas à direita e à esquerda. Acima de tudo, detestava a mediocridade e a petulância.
Vera Lagoa era uma mulher de causas, participou, por exemplo, na candidatura à Presidência da República do "General Sem Medo", Humberto Delgado, em 1958. Mulher de paixões (não de ideologias), dedicou-se aos jornais com grande empenho, apesar das críticas, dos ataques e das bombas às instalações onde trabalhava. Deixou o "Diário Popular" para fundar "O Diabo" (recuperando um título de prestígio), que o "Conselho da Revolução" mandou suspender. Inconformada, não desistiu da luta e e lançou "O Sol", também semanário.
Foi casada três vezes e o segundo marido foi José Manuel Tengarrinha, o fundador do Movimento Democrático Português / Comissão Democrática Eleitoral (MDP / CDE), que se destacou na luta política, antes do "25 de Abril", e esteve preso pela PIDE, na cadeia do Aljube. Vera Lagoa foi uma "mulher de armas".
Vera Lagoa, jornalista, foi directora do semanário "O Diabo".

João Godim
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