Personalidade madeirense de notoriedade literária, em especial no tocante ao estudo da obra de Gil Vicente, Sebastião Pestana (1908-1993) merece ser lembrado neste mês de Outubro, quando passam 110 anos do seu nascimento e 25 anos da sua morte. Um pouco esquecido pela maioria, mas sempre recordado pelos investigadores da literatura clássica portuguesa.
Natural da freguesia de Câmara de Lobos, fez estudos primários e liceais na Madeira, e formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do Ensino Secundário em vários Colégios e no Liceu de Camões, em Lisboa.

Colaborador de várias revistas de especialidade, foi também conferencista de mérito; por exemplo, em 1961, na Universidade de La Laguna (Tenerife, Canárias), foi convidado a falar sobre “Los aspectos sociales del Teatro de Gil Vicente”, “Florbela Espanca y su drama”, entre outros temas; e nesta mesma Universidade, de 1961 a 1965, foi Leitor de Português e Professor Encarregado de Curso de Língua Portuguesa, Historia da Língua Portuguesa e Historia da Literatura Portuguesa.
Foi ainda Assistente dos Estudos Gerais Universitários de Angola (Sá da Bandeira), desde 1966; e Assistente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Pertenceu a diversas instituições culturais e era membro da Academia Portuguesa de História. A distância física da Ilha não o impediu de publicar artigos nos órgãos de comunicação locais, com grande interesse por parte dos leitores e estudiosos, além de entrevistas e conferências.

Vila (hoje, cidade) de Câmara de Lobos, terra natal de Sebastião Pestana, onde Winston Churchill pintava sempre que estava na Madeira.
Sebastião Pestana era irmão de outro vulto da cultura portuguesa, Antonino Pestana (1891-1963), professor, advogado, jornalista, escritor, conferencista, filólogo e músico, além de se ter interessado pela investigação do folclore e das tradições do arquipélago da Madeira.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS