Ideais do liberalismo
A 27 de Setembro de 1915, morreu o escritor e jornalista Ramalho Ortigão. Tinha 78 anos de idade e uma significativa actividade cultural no Portugal de Oitocentos. Fez parte da chamada "Geração de 70", onde pontificavam Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Batalha Reis, Almeida Garrett ...
Natural do Porto (n. em 1836), no seio de uma família nobre do Algarve, tradicionalista e de espírito conservador, perfilhou, no entanto, os ideais do liberalismo, na linha de Almeida Garrett e de Alexandre Herculano. Foi amigo e companheiro de letras de Eça de Queirós com quem redigiu durante dois anos, em fascículos mensais, "As Farpas" - análise crítica da política e da sociedade do seu tempo; e "O Mistério da Estrada de Sintra" (referência do aparecimento do romance policial em Portugal).
Admirador de Antero de Quental, interveio também na polémica "Questão Coimbrã" com um texto em defesa da "Literatura Hoje". Deixou registos pormenorizados das inúmeras viagens que fez no nosso país e pela Europa desenvolvida, de que são exemplos os livros: "As Praias de Portugal", "O Culto da Arte em Portugal", "A Holanda" e "John Bull", entre outros.

Além de escritor e jornalista, (José Duarte) Ramalho Ortigão desempenhou ainda o cargo de bibliotecário da Biblioteca da Ajuda e de oficial da secretaria da Academia Real das Ciências. Em 1901, foi agraciado com o titulo de académico de mérito da Academia Real de Belas Artes e, em 1907, foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública por parte da mesma Academia.
> Ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes» (Ramalho Ortigão).

João Godim
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