Viver com sabedoria
As questões essenciais sobre o mundo e a vida colocam-se a todo o tempo, não têm idade, e por mais voltas que se queira dar ao assunto, iremos sempre parar ao início de tudo, ao "mistério", que ainda não foi completamente desvendado. Assim aconteceu ao longo dos séculos e até hoje a resposta definitiva ainda não foi dada, apesar dos desenvolvimentos materiais e progressos tecnológicos e mesmo com a ajuda dos filósofos ou cientistas da alma humana.
Às questões: "Quem somos?, donde vimos? e para onde vamos?, atribuídas aos filósofos gregos (Aristóteles, Platão e outros), o famoso filósofo alemão Kant (1724-1804) acrescentou: "O que posso saber?, o que devo fazer?, o que me é permitido esperar?, o que é o homem?"

Nesta sequência, e mais perto da nossa mentalidade atual, destaca-se Pedro Laín Entralgo (1908-2001), um dos mais destacados pensadores espanhóis do século XX, nasceu em Urrea de Gaén (Teruel), no dia 15 de fevereiro, no seio de uma família de médicos (avó e pai). Doutor em Medicina e licenciado em Ciências Químicas, foi Professor Catedrático de História da Medicina e Reitor da Universidade de Madrid; filósofo, historiador, dramaturgo, senhor de uma cultura vastíssima e de uma reflexão profunda, é considerado por muitos um herdeiro da "sabedoria renascentista".
Viveu a pensar e a investigar sobre a identidade humana, nas suas bases "corpo e alma", convocando os grandes do passado que também se debruçaram sobre estes temas e acompanhado os caminhos da ciência do nosso tempo. O seu labor intelectual foi distinguido várias vezes, como foi o caso do "Prémio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades", em 1989.

Sobre o imenso universo em que estamos envolvidos e condicionados por mais dúvidas do que certezas, por exemplo, Pedro Laín Entralgo escreveu o seguinte: "Um grão de poeira mínimo, tal é o que sou, tal é o meu corpo, quando o olho como parte do universo a que pertence. Mas no secreto interior da minha pequenez, sou também a minha admiração e o meu espanto, como Pascal, como Kant, como Unamuno, ainda que a meu modo, alguém capaz de se confrontar intelectualmente com a imensa realidade material que o envolve e condiciona. A que conclusão - ou a que perplexidade - me conduzirá um tal confronto?".
Enfim, a vida é uma constante interrogação, não há respostas já prontas, e viver com sabedoria é o mais que podemos aspirar, como bem ensinou Pedro Laín Entralgo, falecido há 15 anos, mas cuja obra escrita é um guia indispensável para seguirmos as questões existenciais com maior confiança.

João Godim
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