Uma das actrizes marcantes da cena portuguesa no século XX, Mariana Rey Monteiro (1922-2010), morreu há seis anos, no mês de outubro. Estreou-se, em 1946, no Teatro Nacional, na peça "Antígona", de Sófocles.
A sua participação no filme "Um Dia de Vida" valeu-lhe um Óscar da Imprensa, em 1962, e em 1996 foi distinguida com o grau de Grande Oficial da Ordem Santiago da Espada, como reconhecimento pela sua carreira.

Mariana Rey Monteiro era filha de outros nomes consagrados do teatro português: Felisberto Robles Monteiro (1889-1958) e Amélia Rey Colaço (1898- 1990); era considerada uma "aristocrata" do palco, tendo feito a sua última aparição em público em 1984 na peça "Filhos de um Deus Menor", sob a direção de João Perry; mas nos anos seguintes tornou-se presença habitual na televisão, em produções como "Gente Fina é Outra Coisa", "Vila Faia" ou "Cinzas".
Mariana Rey Monteiro com Virgílio Teixeira, o primeiro actor português a filmar em Hollywood, a meca do cinema.
Os seus pais não queriam que fosse actriz, mas a arte de representar corria-lhe nas veias desde criança e trabalhou muitos anos no Teatro Nacional D. Maria II. Chegou a ser convidada para trabalhar em Hollywood, mas recusou. Em 1947, casou com Emílio Ramos Lino que acabará por se tornar também cenógrafo do D. Maria II.
Protagonizou centenas de peças - entre as quais "Sonho de Uma Noite de Verão", "Santa Joana", "Um Eléctrico Chamado Desejo", e representou textos de grandes autores, como Molière, Arthur Miller, Bernard Shaw, Tennesse Williams, Ibsen, Shakespeare, Ionesco.

João Godim
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