Grande intérprete do teatro português no século XX, Maria Matos (1890-1952), nasceu e morreu no mês de Setembro, tendo-se registado a data do seu nascimento a 29 e o da morte no dia 18, passam agora 67 anos da sua partida. Natural de Lisboa, Maria (da Conceição) Matos (Ferreira da Silva Mendonça de Carvalho) fez estudos superiores de piano, canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, e fez exame final com a peça "Rosas de Todo Ano" escrita de propósito por Júlio Dantas.
O seu início profissional com actriz deu-se no Teatro Nacional D. Maria II, na peça "Judas", aos 21 anos de idade. Casou com o actor Francisco Mendonça de Carvalho, com quem fundou a empresa teatral Maria Matos – Mendonça de Carvalho, "companhia que obteve considerável prestígio", e de quem teve uma filha, a também actriz Maria Helena Matos (1911-2002); tem outra filha actriz de extraordinário talento, Glória de Matos (n. 1936).

A partir de 1940, Maria Matos passou a dar aulas no Conservatório Nacional de Teatro, onde regeu as cadeiras de "Estética Teatral e de Arte de Dizer". A sua competência evidenciou-se sobretudo na "farsa" e na "comédia", géneros em que se consagrou.
No cinema, Maria Matos participou em vários filmes de sucesso como "O Costa do Castelo" e "A Menina da Rádio", em que contracenou com António Silva, "As Pupilas do Sr. Reitor" e "Varanda dos Rouxinóis". Escreveu as peças "A Tia Engrácia" , "Direitos de Coração" e "Escola de Mulheres"; publicou também "Dizeres de Amor e Saudade". Após a sua morte, o seu nome foi atribuído a um novo teatro de Lisboa, o Teatro Maria Matos e a ruas da capital.

João Godim
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