Muito se tem dito e escrito nos últimos dias e horas sobre a figura de Maria de Jesus Barroso Soares (1925-2015), antiga primeira-dama, atriz de reconhecidos méritos e firme lutadora pela causa da liberdade, e pelos direitos cívicos.
Nesta hora de despedida (o funeral realiza-se, hoje, para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa), já lhe foram prestadas todas as homenagens possíveis através de declarações mais ou menos formais, depoimentos espontâneos, testemunhos amigos. Na nossa modesta opinião, resta pouco espaço para as palavras que lhe gostaríamos de dizer, considerando a sua grande personalidade.

Mulher de cultura, na sua ação privilegiou também a solidariedade e o humanismo sem fronteiras. Pertencia a uma geração de notáveis, entre políticos que ficam na História portuguesa do século XX, como o seu marido, Mário Soares, o general Humberto Delgado...; entre poetas e escritores, como Sofia de Melo Breyner, David Mourão-Ferreira e José Régio, Carlos de Oliveira, e outros do chamado Novo Cancioneiro...; entre pedagogos insignes, como o sogro, João Soares (fundador do Colégio Moderno), António Sérgio (ensaísta) e Agostinho da Silva...
Então, mais do que falar de Maria (de Jesus Simões) Barroso Soares, interessa continuar a ouvi-la, existem gravações nesse sentido, a declamar poemas e outras intervenções..., e com a certeza de que a sua memória vai permanecer ainda por muito tempo entre nós.

João Godim
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