"Com Amália e Carlos Paredes, Luiz Goes está na galeria dos grandes intérpretes do século XX, expressões maiores do ser português", disse José Henriques Dias sobre o intérprete e compositor de referência da balada de Coimbra, Luiz Goes, falecido há quatro anos (18 setembro de 2012).
Contemporâneo de outros nomes maiores da canção coimbrã, como Fernando Machado Soares (1930-2014), António Menano (1895-1969), José Afonso (1929-1987) e Adriano Correia de Oliveira (1942-1982), Luiz Goes (1933-2012) é, de facto, um nome incontornável da música portuguesa, a par da profissão de médico.
Era sobrinho de Armando de Goes, que foi colega de Edmundo Bettencourt, Paradela de Oliveira e Almeida d'Eça, também referências de Coimbra nas décadas de 1920 a 1940-50 e começou a cantar em público aos 14 anos, sendo então conhecido como "menino prodígio".
Visto como "um cantor de uma invulgar convicção na forma como interpretava as letras, a profundidade que dava às palavras, além da melodiosa voz de grande extensão", considera o médico Camacho Vieira, que foi seu amigo, embora "a sua dimensão artística" nunca tenha sido "devidamente reconhecida", apesar das "inúmeras digressões internacionais".
Esteve nas Nações Unidas, na Suíça, num Congresso da Cultura da Língua Portuguesa, na Universidade de Georgetown, em Washington D.C., numa homenagem a Beethoven, na Áustria; entre muitas atuações na Europa, África e Américas.
Antes de cantar a solo, Luiz de Goes fez parte do Orfeão de Coimbra, na categoria de barítono solista, do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, na Tuna e no Coral da Faculdade de Letras.
Um dos seus maiores êxitos é o disco "Serenata de Coimbra", gravado em 1957, "um dos álbuns mais vendidos da música portuguesa, em Portugal e no estrangeiro, contando com mais de 15 edições com capas diferentes."
A sua carreira artística, entretanto, foi interrompida para cumprir o serviço militar na Guiné-Bissau, no contexto da guerra colonial. Quando regressou, em 1966, fixou residência em Lisboa, onde exerceu a profissão de Estomatologista até à reforma, em 2003.
Da sua extensa discografia destacam-se os álbuns "Coimbra de ontem e de hoje" (1966), "Coimbra do mar e da vida" (1969), "Canções de Amor e de Esperança" (1969) e "Canções para quase Todos" (1983).

João Godim
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