Faz, hoje, anos que nasceu o poeta argentino Jorge Luís Borges (24 de Agosto de 1899- Junho de 1986). Um dos maiores entre os seus pares, tinha orgulho do seu apelido - Borges - ser de origem portuguesa. De facto, a sua família paterna era transmontana pelo lado do bisavô, Francisco Borges, que um dia deixou a região Torre de Moncorvo e emigrou para a Argentina (finais do século XVIII), tendo-se estabelecido ao Rio da Prata, onde chegou a ocupar o posto de coronel no contexto histórico militar da época.
O poeta refere que: «Nada ou pouco sei dos meus ancestrais Portugueses, os Borges: vaga gente, / Que na minha carne, obscuramente,/ Prossegue seus hábitos, temores e rituais. /Ténues como se nunca houvessem existido / E alheios aos trâmites da arte, / Indecifravelmente fazem parte / Do tempo, da terra e do que é esquecido. / Melhor assim. Cumprida a odisseia / São Portugal, são a famosa gente / Que forçou as muralhas do Oriente / E se deu ao mar e a outro mar de areia.» (...)

Borges não foi distinguido com o Nobel da Literatura, mas figura entre os mais famosos das Letras a nível mundial. Cedo conheceu a cegueira irreversível e, no entanto, foi um leitor eclético, tradutor de grandes obras, crítico literário e professor universitário. A sua formação fez-se em grande parte na Europa e da influência de uma avó inglesa. Deixou títulos ainda hoje notáveis pelo seu conteúdo e escrita feita de pensamentos e sabedoria.
Segundo Alberto Manguel, autor que conviveu de perto com Jorge Luís Borges: «Há escritores que tentam refletir o mundo num livro. Há outros, mais raros, para os quais o mundo é um livro, um livro que visam decifrar para si próprios e para os restantes. Borges foi um destes últimos. Acreditou, apesar de tudo, que o nosso dever moral é sermos felizes, e acreditou que a felicidade por ser achada nos livros.»

João Godim
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