Um escritor cidadão do mundo
Um dos maiores escritores de língua portuguesa, a quem só faltou o Nobel, Jorge Amado, nasceu há 107 anos, no dia 10 de Agosto de 1912. Natural de Salvador da Bahia (Brasil), o autor de "Gabriela Cravo e Canela", "Dona Flor e seus Dois Maridos" e "Capitães da Areia", entre outros títulos famosos, teve reconhecimento a nível mundial e foi também distinguido com o "Prémio Camões", em 1994.
No Verão de 2012, no âmbito do centenário do nascimento de Jorge Amado, a Biblioteca Nacional inaugurou em Lisboa uma exposição sobre o impacto da sua obra em Portugal. E no próximo dia 27 (deste mês de Agosto) será lançada entre nós uma biografia monumental, pela editora Dom Quixote, da autoria da jornalista e historiadora Joselia Aguiar, que dirige a Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo, em que se traça o caminho de “um homem que, saído da Bahia, se tornou cidadão do mundo, amigo de personalidades como Sartre e Saramago, traduzido para dezenas de idiomas”.
Depois de “Capitães da Areia”, em 1937, e da dezena e meia de livros escritos deste a estreia, em 1931, com “O País do Carnaval”, a publicação de “Gabriela, Cravo e Canela”, em 1958, entrou na lista dos mais vendidos do jornal norte-americano The New York Times, ao mesmo tempo que se transformava em obra de "culto militante", na antiga União Soviética.

As obras de Jorge Amado foram proibidas em Portugal, durante o Estado Novo, até à década de 60. Mais tarde, com o "25 de Abril" de 1974, a “Gabriela”, que deu origem a uma telenovela, a primeira exibida em Portugal em 1977, através da RTP, catapultou o escritor para uma popularidade sem limites entre nós.
Jorge Amado (1912-2001) esteve em Portugal várias vezes e foi muito próximo de Ferreira de Castro (1898-1974); escreveu mais de 40 livros, uma "obra de incalculável valor"

João Godim
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