As migrações humanas
Neste mês de Dezembro, passam 50 anos da morte de John Steinbeck (1902-1968), escritor norte-americano, autor de "As Vinhas da Ira", "A Leste do Paraíso", Prémio Nobel da Literatura em 1962. Contemporâneo de duas guerras mundiais, de várias crises sócio-económicas e experimentado em dificuldades pessoais quanto baste, a sua obra literária é um espelho de um mundo em profunda busca de sentido e de felicidade.
Mais do que imaginação ou criatividade talentosa, os livros de John Steinbeck são testemunhas concretas de como tudo se passou, sem artifícios ou explicações inúteis, porque o drama humano falava mais alto. Por exemplo, o romance "As Vinhas da Ira", publicado em 1939, é considerado a sua obra-prima e um marco da literatura mundial.
Trata-se de um retrato a preto e branco das situações mais dolorosas que nos tempos da Grande Depressão atingiram os mais pobres e sem poder da população norte-americana, quase como actualmente se verifica com as migrações humanas, a andarem de um lado para outro à procura de melhor sorte, mas em confronto com os maiores perigos e impedidas por decisões políticas de toda a espécie.
Em resumo, o que "As Vinhas da Ira" nos relatam é que: "Na década de 1930, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa e provocaram o êxodo de muitos deles para oeste, rumo à Califórnia, em busca de trabalho.
Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina.
Este é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estóica de uma mulher."
Conclusão, é indispensável ler John Steinbeck, agora e sempre, porque ainda que o mundo tenha mudado para melhor, a mentalidade dos homens pouco mudou ou muda muito lentamente.

João Godim
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