Construtor de importantes pontes culturais
Historiador de renome, investigador dos Descobrimentos Portugueses, Jaime Cortesão (1884-1960), morreu há 55 anos. Pertenceu a uma geração de notáveis, onde pontificavam Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Raúl Proença, Francisco Vieira de Almeida, António Sérgio, entre outros grandes intelectuais.
Formado em Medicina, foi professor, deputado, soldado na Primeira Guerra Mundial (participou como capitão-médico), diretor da Biblioteca Nacional, resistente contra a ditadura militar (desde 1926), esteve preso em Peniche e no Aljube, foi sobretudo um «polarizador de doutrina», um «catalisador» de ideias, como o definiu Aquilino Ribeiro, mais «congraçador» do que «hostilizador dos homens», como o considerou José Rodrigues Miguéis.

O grupo da "Seara Nova": Jaime Cortesão, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença e Câmara Reis.
Obrigado ao exílio, primeiro em França (saiu em 1940, devido à invasão daquele país pelo exército alemão), depois no Brasil, onde foi professor universitário, especializando-se na história dos descobrimentos portugueses e na formação do Brasil; em 1952, organizou a Exposição Histórica de São Paulo, para comemorar o 4.º centenário da fundação desta cidade. Regressou a Portugal em 1957.
Em terras de Vera Cruz construiu importantes pontes culturais, também com laços familiares, nomeadamente através do casamento da sua filha mais velha - Maria da Saudade Cortesão (poetisa e tradutora, falecida em 2010, aos 96 anos de idade) com o poeta e diplomata brasileiro Murilo Mendes.

João Godim
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