O próximo 5 de setembro é dia de aniversário natalício do escritor Horácio Bento de Gouveia (1901-1983), o mais notável autor madeirense do século XX. Escritor, professor liceal e jornalista, foi dos mais consagrados na prosa realista e social, com títulos que ainda hoje nos dão o retrato autêntico do povo insular de outros tempos, em termos de linguagem, ambientes e vivências, num contexto de ruralidade e colonia, entre outros aspetos. Escritor psicólogo, observador exímio e analista profundo das pessoas e costumes de antanho, revelou-se ainda um digno discípulo de Fialho de Almeida pela pintura da linguagem e descrição da paisagem.
Os títulos mais conhecidos da sua significativa bibliografia são: Ilhéus (ou Canga), o seu primeiro romance, "onde palpita uma vida de adolescência", com prefácio do Mestre Aquilino Ribeiro; "Alma negra e outras almas", onde relata "um mosaico de vivências da ilha e fora dela"; e "Águas Mansas", que "contém muito de autobiografia".
Horácio Bento de Gouveia era natural da freguesia da Ponta Delgada (Madeira), concelho de São Vicente. Filho de Francisco Bento de Gouveia e de Firmina Matilde de Ornellas Bento de Gouveia, de famílias com algum relevo na zona. Formou-se em Ciências Históricas e Geográficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1930, tendo sido durante muitos anos professor em vários liceus do continente e no Funchal. A sua escrita estendeu-se à imprensa diária e periódica, e as suas intervenções oportunas como conferencista e apresentador de programas na televisão (RTP/Madeira, após o 25 de Abril) sempre foram muito consideradas.

A Casa do Ladrilho, onde nasceu, em Ponta Delgada (Madeira), está transformada em Museu. Após a sua morte foi instituído um prémio literário em sua memória pelo Município de São Vicente.

João Godim
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