"O que é mais importante, é viver"
Faz hoje 80 anos (no início Guerra Civil de Espanha) que o poeta e dramaturgo andaluz Frederico Garcia Lorca (1898-36) foi fuzilado pelas forças nacionalistas do ditador Francisco Franco, junto à Fonte das Lágrimas, nos arredores de Granada. "Todas as coisas têm o seu mistério e a poesia é o mistério de todas as coisas", escreveu Lorca um dia.
A sua máxima "o que é mais importante, é viver" foi traída, cruelmente aniquilada, quando tinha apenas 38 anos de idade.
Na disputa de ideais, entre forças extremadas, sob a forma de ensaios e testes de materiais bélicos, a Guerra Civil espanhola (1936-39) serviu como prelúdio do conflito mundial que iria começar poucos anos depois, a II Grande Guerra (1939-45).
Tudo previsto e calculado, a tragédia humana no palco da Europa foi outra vez enorme, com a morte de inocentes e o desaparecimento imediato dos mais esclarecidos, como foi o caso de Lorca, cuja popularidade era grande entre os seus contemporâneos. Acontece que, passados 80 anos sobre o seu assassinato, há agora a possibilidade de fazer justiça
Frederico Garcia Lorca (3.º na 2.ª fila)
A juíza argentina María Servini de Cubría que há anos investiga violações dos direitos humanos em Espanha, durante a ditadura do general Francisco Franco, aceitou a denúncia pelo desaparecimento do poeta Federico Garcia Lorca apresentada pela Associação para a Recuperação da Memória Histórica.
A denúncia, que foi formalizada em abril deste ano, comprovava "de maneira indubitável" as circunstâncias da detenção e do assassinato de Federico Garcia Lorca, a partir de um documento da Polícia de Granada, datado de 9 de julho de 1965.
O referido relatório oficial assinalava que o poeta foi fuzilado juntamente com outra pessoa e definia-o como "socialista e maçom", entre outros aspetos.
Garcia Lorca foi considerado o mais notável de entre um grupo de poetas surgidos durante a guerra, conhecido como a "Geração de 27", destacando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor e pianista precoce.

João Godim
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