Intérpretes que a História não esquece
Diplomata, político do "Estado Novo" e escritor, Alberto Franco Nogueira (1918-1993) foi lembrado há poucos dias por ocasião do centenário do seu nascimento. Licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, ingressou em 1941 na carreira diplomática. Foi cônsul-geral de Portugal em londres, chefe da delegação portuguesa à ONU, director-geral dos Negócios Estrangeiros e ministro dos Negócios Estrangeiros, entre 1961 e 1969.
Personalidade muito ligada ao regime da ditadura salazarista, esteve preso após a "Revolução do 25 de Abril" de 1974. Libertado, exilou-se em Londres, em 1975, tendo regressado a Portugal alguns anos depois. Produziu estudos históricos e escreve a biografia política de Salazar em seis volumes.

Para assinalar o centenario do nascimento, a família de Franco Nogueira fez doação do seu "espólio pessoal ao Arquivo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros. O imenso espólio inclui, entre outras coisas, cartas secretas do Estado Novo e um manuscrito de Salazar". Figura multifacetada, para além de diplomata e ministro, Franco Nogueira exerceu ainda actividades de professor, crítico literário e administrador de empresas.
Na lista dos notáveis para suceder a Salazar, há 50 anos, entre os quais se destacava Marcelo Caetano, incluia-se também Franco Nogueira. Hoje, é um político esquecido; todavia, as suas obras escritas baseiam-se num pensamento bem informado e formativo em termos de raciocínios adequados e face a contextos históricos bem precisos, sem que por isso nos deixemos influenciar por laivos de "fascismo" ou "ditadura".
Em cada época, há intérpretes que a História não pode apagar. Foi assim com Franco Nogueira e com tantos outros que merecem ser lembrados a seu tempo.

João Godim
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