José Maria Ferreira de Castro, consagrado autor de "A Selva" e "Emigrantes", nasceu a 24 de maio de 1898. A sua vida de escritor de mérito confunde-se com a sua própria experiência, desde muito cedo, dado o realismo que predomina nos seus relatos literários e romanceados.
Ferreira de Castro em Sintra e a casa onde viveu, hoje Museu.
Nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, no seio de uma família de camponeses pobres. Órfão de pai aos oito anos, é obrigado a emigrar com doze anos, para o Brasil, onde vai trabalhar num seringal no interior da floresta amazónica.
A sua vocação, porém, tende mais para as lides literárias e, à medida do seu crescimento físico e mental, também cresce em cultura e vontade de progredir através dos livros, com dedicada colaboração nos jornais, principalmente em Belém do Pará.
Após regressar a Portugal, com 21 anos de idade e pouco mais de "quatrocentos escudos no bolso", decide-se pela carreira no jornalismo e nas letras, em Lisboa, apesar de ser pouco conhecido e sem grandes apoios. Passou então por períodos de "absoluta miséria"...
Até que, em 1925, foi admitido como sócio do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, de que chegou a ser presidente da direção. Mas, o jornalismo foi só uma primeira etapa da sua grande criatividade como escritor, pois, em 1928 publica o romance "Emigrantes", seguido de "A Selva", em 1930, com notável êxito nacional e além fronteiras.
A partir de então, o nome Ferreira de Castro passou a figurar entre os maiores da literatura. Foi dos escritores portugueses mais populares do século XX, traduzido em dezenas de línguas e publicado em inúmeros países.
A sua inesquecível memória está bem patente em duas casas-museu que deixou: uma casa em Oliveira de Azeméis, onde nasceu, e outra em Sintra, onde está sepultado.
O seu nome foi, várias vezes, proposto para o Prémio Nobel da Literatura; e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Educação e a Cultura) considerou que "A Selva" estava entre os dez romances mais lidos em todo o mundo.
Café "Golden Gate" no Funchal, a "Esquina do Mundo", assim classificou o escritor face ao movimento de estrangeiros que frequentavam este lugar.
Ferreira de Castro morreu em junho de 1974. Para os madeirenses continua a ser uma lenda viva, aqui passou algum tempo e escreveu o livro "Eternidade" (1933).

João Godim
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