O poeta genial, "maltratado" em vida e idolatrado depois de morto, morreu há 80 anos (30 de Novembro de 1935), aos 47 anos de idade... Fernando Pessoa (1888-1935). Conhecido de poucos, estimado por alguns, viveu em constante "desassossego", inquieto pelo tempo imparável que quis preencher com vários heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, entre os mais famosos)..., morreu sem ver publicada a maior parte da sua obra poética e prosa fundamental, apenas um pequeno livro em vida - "Mensagem" (1934), com poemas destinados a exaltar a epopeia portuguesa, num lirismo místico e sebastianista.

"Ao longo dos anos da sua vida de adulto, Fernando Pessoa viveu dos trabalhos que realizou para escritórios comerciais, sobretudo correspondência em língua inglesa", escreveu o saudoso António Quadros (1923-1993) na obra que lhe dedicou em dois volumes - Fernando Pessoa, Vida, Personalidade e Génio. "Não se lhe conhecem outras fontes de rendimento, pois ao único lugar público a que concorreu, o de conservador-bibliotecário do Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães, em Cascais, não foi admitido." (...) "Fernando Pessoa, sobretudo nos últimos anos, bebia muito, embora não se embriagasse. Beber é uma forma de fuga e o grande poeta foi, toda a sua vida, um homem infeliz", sublinha António Quadros na obra citada, publicada pela Arcádia, em 1981.

Hoje em dia há muitos estudos sobre o poeta, a sua biografia, livros, e até os inéditos que deixou numa célebre "arca". Tudo isto está acessível na instituição que entretanto se criou - A Casa Fernando Pessoa (CFP), inaugurada em 1993, na Rua Coelho da Rocha, Lisboa.
Para assinalar os 80 anos sobre a morte de Pessoa, a CFP promove, hoje, (segunda-feira, dia 30) um "programa de memória e escrita, recriação e leitura". Às 19h00, no São Luiz Teatro Municipal , João Grosso interpreta Ode Marítima de Álvaro de Campos. Mais tarde, às 21h30, no Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz, apresenta "A nossa natural angústia de pensar": Fernando Pessoa e as marcas que deixou na poesia portuguesa. Ao longo de todo o dia a visita à CFP será de entrada livre e, às 15h, haverá uma visita guiada.

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"
(Fernando Pessoa no poema Tabacaria)
Video (50') > https://www.youtube.com/watch?v=3b2Q_DJDMho

João Godim
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