Fernando Gil (1937-2006), "um dos nomes maiores do pensamento e do ensino filosófico português no século XX", morreu, faz amanhã, 19 de março, 13 anos. Pensador internacionalmente reconhecido, distinguido com o Prémio Pessoa em 1993, é autor de "La Logique du Nom" e "Mimesis e Negação", entre outros títulos.
Nascido em Moçambique, Fernando Gil formou-se em Direito, na Universidade de Lisboa, em 1959, apesar da sua vocação filosófica. "Estreou-se como autor em 1961 com Aproximação Antropológica", mas logo seguiu para Paris, onde concluiu uma segunda licenciatura, em Filosofia, e se doutorou em Lógica.
Exerceu ainda a actividade de tradutor para português de obras filosóficas, ensaios de Merleau-Ponty e de Jaspers, entre outros. Após o 25 de Abril de 1974, tornou-se professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e directeur d'études na École des Hautes Études en Sciences Sociales.
É irmão de José Gil (também filósofo, nascido em Moçambique, em 1939) e considerado, no número especial do Le Nouvel Observateur, de Dezembro de 2004, como um dos 25 «grandes pensadores» de todo o mundo, ao lado de Richard Rorty, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Slavoj Zizek; doutorado em Filosofia na Universidade de Paris (1982), sob a orientação de François Châtelet.
José Gil é autor do livro muito divulgado em Portugal, "Hoje — O Medo de Existir", em que são abordados "traços de mentalidade (desde a inveja à dificuldade de «inscrição») que por serem particularmente acentuados no nosso país" e que "entravam o seu desenvolvimento, abertura ao exterior, e, sobretudo, a sua dinâmica interna."

João Godim
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