Prosa crítica sobre a actualidade
A notícia foi conhecida no passado fim-de-semana, com poucas palavras, mas em tons tristes e muita saudade: morreu Fernanda Leitão. Soubemos através do blog do poeta Eduardo Pitta (daliteratura.blogspot.pt). "Fernanda Leitão, jornalista, antiga proprietária e directora do Templário, um jornal de Direita que se publicou em Tomar e que, no auge do PREC, vendia 60 mil exemplares por edição.
Cansada de processos judiciais, nada menos que 150, por alegado abuso de liberdade de imprensa (alô Charlies), decidiu bater com a porta e radicar-se no Canadá em 1983. Enviava de Toronto as suas crónicas mensais, o que fez quase até ao fim da vida, execrando Passos Coelho e a política do governo PSD-CDS.

Natural de Angola, de onde saiu ainda adolescente, fez-se jornalista, viajou, conheceu toda a gente que contava. Tinha 80 anos. Sim, era de Direita, mas eu não escolho os amigos pela ideologia. Até sempre, Fernanda."
A este escrito de Eduardo Pitta, apenas acrescentamos os "Bilhetes Saloios" de Fernanda Leitão, particularmente nos idos anos de 1975 e 1976, que o Eco do Funchal então publicava com destaque... Uma prosa crítica sobre a actualidade que então se vivia, em termos políticos e outros, mas com uma classe, a lembrar Fialho de Almeida nos "Gatos".
A leitura desses pequenos textos causava um prazer enorme e alertava para a necessidade de intervenção da consciência cívica, em todos os campos. Também temos saudades de Fernanda Leitão e jamais esqueceremos a sua contribuição de jornalista para a democracia portuguesa.