
"O homem, à maneira que perde a virilidade do carácter, perde também a individualidade do pensamento. Depois cai na ignorância e na vileza", considera José Maria Eça de Queiroz (1845-1900), escritor e diplomata português, que morreu aos 54 anos de idade, no dia 16 de Agosto de 1900.
Autor dos mais representativos do século XIX, em Portugal e na Europa, deixou uma obra ainda hoje notável, quer pelos temas tratados e objectivos com que pretendia a mudança de mentalidades. Viveu num século de amplas transformações, foi influenciado pela escola realista francesa, teve oportunidade de acompanhar o país à distância, mas sem o abandonar, e destacou-se como um mestre de referência em relação à língua, ao vocabulário e à gramática portuguesa.
Como escreveu Ernesto Guerra da Cal, especialista da linguagem e do estilo de Eça de Queiroz: "O mérito literário do romancista (dos Maias e da Cidade e as Serras, entre outros títulos) cedo foi revelado em Portugal pelos seus companheiros da unida 'Geração de Coimbra'. Ramalho Ortigão - seu fiel amigo- Teófilo Braga, Batalha Reis, Guerra Junqueiro, Luís de Magalhães, patentearam ante o público português a alta qualidade da sua criação romanesca.
Da geração seguinte: Fialho de Almeida, Moniz Barreto e Pereira Sampaio ('Sampaio Bruno') dedicaram-lhe páginas críticas de grande interesse. A partir da morte de Eça até hoje, rara é a figura crítica ou literária de alguma importância que lhe não tenha prestado atenção (...)."
"Hoje pode dizer-se que um alto lugar lhe está definitivamente assegurado. A crítica e o público proclamam-no como um dos clássicos das letras ibéricas e uma das indubitáveis contribuições destas à literatura universal", considera ainda Guerra da Cal (natural de Espanha, no ano de 1911, e falecido em Lisboa em 1994).

João Godim
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