A 1 de Junho de 1890 desaparecia (suicídio, em São Miguel de Seide) um dos vultos da literatura portuguesa de todos os tempos: Camilo Castelo Branco. Serão as suas obras lidas hoje em dia, para além das obrigações académicas, escolares? Quem nunca ouviu falar do Amor de Perdição ou da Corja? Os títulos talvez não sejam desconhecidos, mas há que saber mais e melhor sobre este escritor "romântico" que viveu entre 1825 e 1890, após uma existência cheia de peripécias e polémicas.
O seu nome completo Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, nasceu em Lisboa, na freguesia dos Mártires, numa casa da Rua da Rosa. Pelo lado paterno, descendia da aristocracia de província, com origens nos "cristãos-novos". O pai, estudante em Coimbra, e envolvido em várias escândalos, teve dois filhos (Camilo e uma irmã) de uma mulher do povo, filha de modestos pescadores, que morreria quando Camilo tinha apenas 1 ano de idade, sendo o futuro escritor registado de mãe incógnita e criado pelos avós paternos, no Porto.
Na sua juventude, o autor de O Retrato de Ricardina ainda tentou estudar medicina, mas o seu "caráter instável, irrequieto e irreverente fá-lo ingressar numa vida boémia e leva-o a amores tumultuosos"..., os quais, mais tarde, o conduzirão à prisão sem, contudo, travar o seu génio peculiar para a escrita. Inclusive, teve uma crise espiritual e ingressou, durante um ano, no Seminário do Porto, para seguir a vida religiosa, quando a mulher por quem se apaixonara, Ana Plácido, se casa com Manuel Pinheiro Alves, um "rico português" com negócios no Brasil e que irá servir de inspiração para certas personagens de algumas novelas camilianas, em tom depreciativo; ainda assim, os dois irão juntar-se e vão parar à prisão, com acusações de "rapto e adultério", e viverão em família (com três filhos) até ao final da vida...
Os livros de Camilo Castelo Branco mantêm todo o interesse e reclamam uma leitura atenciosa, pelo menos em sinal de gratidão pela genuína prosa que nos legou, como bem testemunham em seu favor os escritores João de Araújo Correia (quem se lembra?), Agustina Bessa Luís e João Bigotte Chorão, entre outros.
Estabelecimento prisional (hoje, Centro Português de Fotografia) onde Camilo Castelo Branco esteve detido, sito Campo dos Mártires da Pátria, antigo Campo do Olival (Porto), local onde está também a escultura na imagem.

João Godim
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